Disputa acirrada e a importância dos votos da terceira via
O segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, terá Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente em uma das disputas mais apertadas desde a redemocratização. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A atenção agora se volta para os cerca de 9,3 milhões de eleitores que escolheram candidatos da terceira via, cujo destino pode influenciar o resultado final.
Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) somaram juntos aproximadamente 7,31% dos votos válidos, com 2,89%, 2,24% e 2,18%, respectivamente. Embora candidatos como Romeu Zema (Novo) e outros tenham obtido percentuais menores, o foco está nos nomes que podem transferir votos decisivos neste segundo turno.
Posicionamentos dos candidatos da terceira via e apoios institucionais
Até o momento, Cury, Renan Santos e Caiado não declararam apoio explícito a nenhum dos candidatos no segundo turno. Renan Santos, por exemplo, afirmou em vídeo publicado no YouTube que não orientará seus eleitores a votar em Lula ou Flávio, nem a anular o voto, destacando que a eleição pertence a Flávio Bolsonaro.
Porém, houve movimentações institucionais importantes. Romeu Zema declarou apoio a Flávio Bolsonaro, justificando seu voto como oposição ao PT. Além disso, Ronaldo Caiado receberá Flávio Bolsonaro no comitê central de campanha do MDB em Goiânia, ao lado do governador Daniel Vilela (MDB). Após esse encontro, é esperada uma declaração conjunta que pode impactar os rumos da campanha.
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Possível migração de votos e impacto na disputa
A cientista política Cila Schulman, CEO do grupo Ideia, avalia que a transferência de votos tende a favorecer Flávio Bolsonaro. Isso porque Lula permanece isolado no campo da esquerda, sem poder contar com apoios de candidatos da terceira via, diferente do que ocorreu em eleições anteriores.
As últimas pesquisas, como a Quaest divulgada antes do primeiro turno, indicam que Flávio receberia a maior parte dos votos dos eleitores de Cury, Renan Santos e Caiado. Segundo o levantamento, 34% dos eleitores de Cury escolheriam Flávio, contra 23% que optariam por Lula. Entre os eleitores de Renan, 60% migrariam para Flávio e apenas 11% para Lula. Já entre os de Caiado, 43% escolheriam Flávio e 19% Lula.
Também chama atenção o percentual significativo de eleitores que podem votar em branco, anular ou não comparecer: 41% entre os eleitores de Cury, 27% de Renan e 36% de Caiado. Indecisos somam 2% entre esses grupos, indicando incertezas que podem alterar as projeções até o dia da votação.
Comparação com o cenário eleitoral de 2022
Em 2022, Lula também enfrentou dificuldades em atrair votos da terceira via no segundo turno, enquanto Jair Bolsonaro contou com maior transferência desses eleitores. Naquele ano, cerca de 10 milhões votaram em candidatos além do PT e PL no primeiro turno. No segundo, 7 milhões migraram para Bolsonaro e 3 milhões para Lula.
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Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) foram os principais nomes da terceira via em 2022, somando 8,5 milhões de votos. Apesar de apoios políticos significativos, Lula teve um acréscimo de pouco mais de 3 milhões de votos entre os turnos, enquanto Bolsonaro cresceu em mais de 7 milhões. Ainda assim, Lula conquistou a presidência por uma diferença estreita de 2,1 milhões de votos.
Início da campanha e próximos passos
A campanha do segundo turno começou em 5 de outubro e se estenderá até a véspera da votação. Flávio Bolsonaro e Lula participarão dos primeiros debates presenciais, marcados para 11, 18 e 23 de outubro, em diferentes veículos de comunicação como Grupo Bandeirantes, TV Record e Rede Globo.
Ambos terão tempo igual para propaganda no rádio e na televisão, o que pode equilibrar a disputa. O cenário permanece aberto, com a migração dos votos da terceira via e os apoios institucionais, como o encontro entre Flávio e Caiado ao lado de Vilela (MDB), como fatores decisivos para o desfecho eleitoral.
