Desafios para a recondução de Motta e Alcolumbre
A expressiva votação obtida pelo bolsonarismo no último domingo (4) alterou o cenário político para a permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente. A possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República intensifica as dificuldades para ambos manterem seus mandatos em 2027.
Com a eventual eleição de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) surge como principal candidato para assumir a liderança do Senado no lugar de Alcolumbre. Já Motta ainda mantém alguma chance de permanecer no comando da Câmara, desde que consiga formar uma aliança entre o PL, Republicanos e a federação União-Progressistas. Um aliado do presidente da Casa ressalta que, mesmo com 121 deputados, o PL não consegue garantir a presidência da Câmara sem o apoio das bancadas do Centrão.
PEC da jornada 6×1 e o ambiente no Senado
Alcolumbre confirmou para esta terça-feira (6) a retomada da tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que elimina a jornada de trabalho 6×1, um tema que pode influenciar o clima político na Casa. Apesar da intenção declarada de levar o texto ao plenário, ele e a base governista enfrentam dificuldades para garantir quórum. Até o final da tarde da segunda-feira (5), menos de 15 senadores aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) haviam confirmado presença em Brasília.
Leia também: Congresso Avança em Pautas de Lula na Última Semana de Votações antes das Eleições
Leia também: Eleições 2026: Estratégias de Lula para Reverter o Cenário no Segundo Turno
Embora o acordo inicial com o governo contemplasse apenas a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), já realizada, Alcolumbre indicou a possibilidade de votar a PEC em plenário, pelo menos em primeiro turno. O ambiente no Senado ainda é de cautela, com o presidente “sentindo o plenário”, mas mantendo a expectativa de votação.
Articulação política e sucessão nas Mesas Diretoras
Na noite de segunda-feira, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) — que não se reelegeu, mas permanece como presidente da federação União-PP — teve encontro marcado com Flávio Bolsonaro em Brasília para discutir apoio ao presidenciável no segundo turno e avaliar o cenário para a sucessão das Mesas Diretoras em 2027, caso o candidato do PL vença a eleição.
Nogueira foi um dos responsáveis pela eleição de Motta para o comando da Câmara. O atual presidente da Casa gerou desconforto junto ao PL ao apoiar publicamente a reeleição de Lula. Além disso, Motta tentou impulsionar a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado, mas este foi derrotado, enquanto ele próprio foi reeleito.
Leia também: Caso Master e eleições dominam agenda política com Congresso parado
Leia também: Hugo Motta e Vorcaro trocaram ao menos 100 telefonemas e tiveram 19 encontros, revela PF
Fonte: gpsbrasilia.com.br
Essa postura favorável a Lula e a nova composição da Câmara, com 121 deputados do PL eleitos, complicam a recondução de Motta. Entretanto, um aliado do presidente da Câmara destaca que o PT apoiou a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Casa em 2023, mesmo com divergências anteriores. Ele enfatiza que o PL, apesar de sua bancada expressiva, depende de alianças com o Centrão para controlar a presidência.
Impactos eleitorais para Alcolumbre no Amapá
Alcolumbre também foi afetado pela derrota de aliados no Amapá. Apesar de ter mandato até 2031, sua influência local diminuiu com a não reeleição do governador Clécio Luís (União) e do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Um aliado de Motta observa que, historicamente, partidos evitam concentrar o controle das duas Casas legislativas na mesma sigla. Assim, mesmo com as maiores bancadas, um acordo entre PL e partidos do Centrão pode definir a divisão do poder nas Mesas Diretoras, ajustando a direção das Casas para os próximos anos.
