Conflito diplomático entre EUA e França
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar e possivelmente bloquear a nomeação de Aurélien Lechevallier como novo embaixador da França em Washington. A medida é uma retaliação direta aos comentários feitos pelo governo francês na Organização das Nações Unidas (ONU), que desagradaram a administração republicana.
Lechevallier deveria assumir oficialmente o cargo em 20 de setembro, mas até o momento os EUA não concederam o agrément, aprovação formal necessária para que um embaixador assuma suas funções no país de destino. Fontes ouvidas pelo jornal Le Monde apontam que o bloqueio pode se estender e até impedir completamente sua nomeação.
Origem da crise e respostas oficiais
O estopim da crise foi uma mensagem publicada em julho na rede social X pela missão francesa junto à ONU. A publicação criticava a posição dos Estados Unidos ao votarem contra a renovação do mandato de Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A França afirmou que os EUA deixaram de ser “farol dos direitos humanos” e estariam isolados internacionalmente ao lado de países como Coreia do Norte, Nicarágua, Mali e Rússia.
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Em resposta, um representante do Departamento de Estado dos EUA declarou ao Le Monde que os Estados Unidos estavam “muito decepcionados com a retórica irresponsável e desrespeitosa dos franceses” e que a administração estava reagindo adequadamente à situação.
Contexto ampliado: tensão também com o Brasil
A crise com a França veio à tona na mesma semana em que o governo Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi motivada pela demora do governo Lula em conceder o agrément ao indicado americano para a embaixada em Brasília, Daniel Perez.
Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos anunciaram publicamente seu indicado antes de fazer o pedido formal de agrément, contrariando práticas diplomáticas. Além disso, ressaltou que não há prazo estipulado na Convenção de Viena para a concessão do agrément, e que o pedido americano ainda está em análise.
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Washington também reagiu às recentes negativas de vistos para dois funcionários do governo dos EUA que planejavam visitar o Brasil. O governo Lula justificou a recusa afirmando que os visitantes pretendiam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi negado pela administração Trump, que classificou a acusação como tentativa inaceitável de interferência política.
