Trump no centro das eleições legislativas
Donald Trump orientou seus apoiadores republicanos em um comício na Carolina do Sul a tratarem as eleições legislativas como se seu nome estivesse na cédula. Mesmo que o presidente dos Estados Unidos não concorra diretamente nas eleições de meio de mandato que ocorrem na próxima terça-feira, 3, sua figura domina a campanha, uma estratégia que pode trazer consequências negativas para o partido.
Dinâmica das eleições de meio de mandato
As chamadas midterms, que ocorrem no meio do mandato presidencial, têm duas vertentes principais. De um lado, funcionam como um referendo sobre o partido que está no poder, no qual eleitores recompensam ou punem o governo atual independentemente dos candidatos. Por outro lado, principalmente na disputa por cadeiras na Câmara, candidatos tendem a focar em temas locais para se distanciar das controvérsias nacionais e proteger suas campanhas.
Para o professor Habib Badawi, da London School of Economics, a decisão de Trump em colocar sua imagem como o centro das eleições reduz a margem de manobra dos candidatos republicanos. “A queda na popularidade de presidentes anteriores também afetou candidatos locais, e a escolha de Trump fortalece a ligação entre sua liderança e as campanhas”, analisa o especialista.
Impactos econômicos e eleitorais
O cenário econômico agrava o desafio para os republicanos. Os altos custos de energia, reflexo de conflitos no Oriente Médio iniciados durante o governo Trump, além do aumento dos preços dos alimentos e tarifas controversas, dificultam a defesa das políticas do presidente. Os republicanos não podem atribuir esses problemas a gestões anteriores, já que Trump assumiu claramente a responsabilidade por essas decisões. Ao mesmo tempo, se distanciar dele é complicado devido à exigência de lealdade dentro do partido.
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Badawi destaca que, nas eleições de meio de mandato, o desempenho econômico passado tem mais peso para os eleitores do que promessas futuras. Quando a retórica política diverge da experiência cotidiana dos cidadãos, esta última tende a prevalecer.
Exemplo da deputada Ashley Hinson
A deputada Ashley Hinson, candidata republicana ao Senado pelo Iowa, ilustra a tensão entre apoio e autonomia em relação a Trump. Em debate recente, afirmou que apoiará o ex-presidente quando isso beneficiar seu estado, mas também se dispõe a confrontá-lo quando necessário. Hinson enfatizou a prioridade em reduzir os preços dos combustíveis, mas demonstrou preocupação com a possibilidade de aliviar sanções contra a Rússia, indicando uma postura crítica em pontos específicos.
Histórico desfavorável para o partido do presidente
Análises do Cook Political Report indicam que os democratas são favoritos para retomar o controle da Câmara, com o Senado também em disputa. Desde 1946, em 90% das eleições de meio de mandato, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara dos Deputados. Esse padrão histórico reforça o desafio dos republicanos em manter a maioria em 2026.
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Outro elemento que reduz as chances do partido é a baixa popularidade do presidente. Pesquisas recentes indicam que Trump tem aprovação de 32%, próximo ao seu recorde negativo. Historicamente, quando a aprovação presidencial está abaixo de 50% no mês que antecede as eleições de meio de mandato, o partido do presidente tende a perder cadeiras.
Exceções históricas e contexto recente
Robert A. Strong, professor da Universidade da Virginia, aponta que apenas em duas ocasiões os presidentes mantiveram ou ampliaram a presença na Câmara durante as midterms. Em 1998, Bill Clinton se beneficiou de uma economia forte e boas taxas de aprovação, conquistando cinco cadeiras a mais. Em 2002, George W. Bush aproveitou o apoio gerado após os ataques de 11 de setembro para aumentar a bancada republicana em oito cadeiras.
Desde Clinton, todos os presidentes que assumiram com seus partidos no controle do Congresso perderam a maioria em uma das casas durante os primeiros dois anos de mandato, incluindo Trump e seu sucessor Joe Biden. Esse histórico reforça a complexidade da estratégia de Trump de centralizar a campanha em sua figura, especialmente diante do cenário econômico e político atual.
