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    Política

    Midterms nos EUA: Como as Eleições Legislativas Testam a Força de Trump

    Bianca SilvaPor Bianca Silvaoutubro 29, 2026Nenhum comentário6 min de leitura
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    Midterms nos EUA: Como as Eleições Legislativas Testam a Força de Trump
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    Midterms e o Controle do Congresso Americano

    Os Estados Unidos realizam na próxima terça-feira (3) as eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms. O pleito é decisivo para definir a configuração do Congresso americano nos dois últimos anos do segundo mandato do presidente donald trump, cujo poder político será avaliado diante da possível perda da maioria parlamentar pelo partido republicano.

    Essas eleições ocorrem a cada quatro anos, exatamente na metade do ciclo presidencial. Nelas, os eleitores escolhem todos os membros da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de governadores e autoridades estaduais. Embora o presidente não concorra diretamente, o desempenho de seu partido serve como termômetro da aprovação popular ao governo e pode alterar a dinâmica de poder em Washington D.C.

    Disputa pela Câmara e Senado

    Atualmente, os republicanos mantêm controle apertado das duas Casas do Congresso, o que tem facilitado a aprovação de propostas alinhadas com a agenda de Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025. Para os democratas, a principal força de oposição, a meta é conquistar ao menos quatro cadeiras em cada Casa para assumir o comando. O resultado da votação determinará a capacidade do presidente de avançar sua pauta legislativa até o término do mandato, em janeiro de 2029.

    Na Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, todas as 435 cadeiras estarão em disputa. Cada representante é eleito para um mandato de dois anos, por voto direto em seu distrito eleitoral. Para obter a maioria, um partido precisa conquistar ao menos 218 cadeiras, garantindo a presidência da Casa e o controle dos trabalhos legislativos.

    No Senado, serão renovadas 35 das 100 cadeiras, sendo 33 pelo calendário regular e duas por eleições especiais para preencher vagas abertas. O Senado é composto por dois representantes por Estado, independentemente da população. Os senadores cumprem mandatos de seis anos, com renovação de um terço da Casa a cada dois anos. Para controlar o Senado, os democratas precisam atingir 51 cadeiras, considerando que o vice-presidente JD Vance, republicano, pode desempatar votações.

    Governadores e Estrutura Eleitoral

    Além do Congresso, 36 dos 50 Estados elegerão governadores, legisladores estaduais e outras autoridades locais. A organização do processo eleitoral é responsabilidade de cada Estado, que define regras para votação presencial, antecipada e pelo correio. Os eleitos para o Congresso tomarão posse em janeiro de 2027, marcando o início da nova legislatura.

    Leia também: Trump e Obama Intensificam Campanha na Decisão das Eleições de Meio de Mandato nos EUA

    Leia também: Eleições nos EUA: Datas e Impactos das Midterms de 2026

    Impactos Institucionais do Resultado

    Se os republicanos mantiverem o controle da Câmara e do Senado, Trump terá sustentação legislativa para conduzir sua agenda na segunda metade do mandato. Essa maioria garante o comando das comissões parlamentares e facilita a aprovação de projetos orçamentários, tributários e de políticas de imigração. No Senado, aliados do presidente continuariam a controlar a aprovação de indicados para cargos no Executivo e no Judiciário.

    Por outro lado, uma vitória democrata na Câmara permitiria à oposição barrar propostas do governo e ampliar sua influência nas negociações orçamentárias. O partido assumiria o comando das comissões responsáveis pela fiscalização do Executivo, com poderes para convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações. A Casa também teria a prerrogativa para iniciar processos de impeachment, cuja conclusão depende da análise do Senado.

    Se o Senado mudar de maioria, as consequências para a Casa Branca serão ainda mais significativas. A Constituição exige a aprovação do Senado para nomeações de ministros, embaixadores, juízes federais e membros da Suprema Corte. Com os democratas no controle, Trump enfrentaria maiores obstáculos para preencher esses cargos, dependendo de negociações políticas para viabilizar suas indicações.

    Mesmo em caso de derrota nas duas Casas, o presidente mantém suas prerrogativas, como o veto a projetos aprovados pelo Congresso e a edição de ordens executivas dentro dos limites legais. Além disso, o resultado das midterms influenciará diretamente a disputa presidencial de 2028, ao moldar as lideranças partidárias e o cenário político para a sucessão na Casa Branca.

    Levantamentos Recentes e Cenário das Pesquisas

    As pesquisas eleitorais mais recentes indicam vantagem para o Partido Democrata na corrida pelo Congresso. Um levantamento do instituto Ipsos, realizado entre 22 e 26 de outubro, aponta que 53% dos eleitores com maior probabilidade de votar pretendem escolher candidatos democratas para a Câmara, contra 44% favoráveis aos republicanos. Essa diferença de nove pontos também aparece em outros estudos nacionais divulgados na reta final da campanha.

    Leia também: Protestos pelo voto antecipado ganham força nos EUA antes das eleições de meio de mandato

    Leia também: As 10 Estratégias de Trump para Reverter as Eleições de Novembro nos EUA

    A média das pesquisas compiladas pelo agregador Silver Bulletin, atualizada em 29 de outubro, mostra vantagem democrata de 8,7 pontos percentuais, refletindo a baixa popularidade do presidente, que registrou 32% de aprovação em pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro.

    O modelo do Decision Desk HQ calcula 80% de probabilidade de os democratas conquistarem a maioria na Câmara, com previsão de 238 cadeiras, acima das 218 necessárias. No Senado, a disputa está mais acirrada, com 60% de chance de vitória democrata e projeção de 52 cadeiras. Estados como Texas, Ohio, Alasca e Maine apresentam margens estreitas, que podem definir se Trump enfrentará oposição majoritária em uma ou em ambas as Casas do Congresso.

    Gerrymandering e Desafios Eleitorais

    A preferência nacional por um partido não garante a maioria parlamentar, pois o resultado depende das eleições individuais em cada distrito. O redimensionamento dos distritos eleitorais, conhecido como gerrymandering, possibilita que o partido majoritário em legislativos estaduais configure distritos para concentrar ou dispersar eleitores adversários, influenciando o resultado das eleições.

    Novos mapas distritais foram adotados em nove Estados desde 2024, incluindo Texas, Califórnia, Flórida e Carolina do Norte. Essas mudanças, incentivadas por Trump em governos republicanos, podem ampliar a bancada do partido. Em resposta, democratas aprovaram novos limites na Califórnia, que podem garantir cadeiras adicionais para o partido, assim como alterações determinadas pela Justiça em Utah.

    O impacto dessas mudanças será decisivo para a disputa pela maioria na Câmara, considerando que cerca de 24 milhões de eleitores votarão em distritos diferentes dos utilizados em 2024, o que representa aproximadamente 10% do eleitorado americano.

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    Bianca Silva

    Bianca Silva assina a cobertura de politica no portal Agenda Pública, com atenção aos temas que impactam Brasil, Brasília. Sua biografia editorial será refinada assim que a geração assistida estiver disponível.

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