Contexto de Instabilidade no Oriente Médio
Israel retorna às urnas nesta terça-feira, 27 de outubro, três anos após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. O pleito ocorre em um cenário de intensa instabilidade regional. As tensões entre Estados Unidos e Irã seguem elevadas, enquanto o conflito no Iêmen, envolvendo houthis e Arábia Saudita, permanece ativo. A situação estratégica no Estreito de Ormuz também gera preocupação, com bloqueios ao tráfego marítimo. No plano local, as operações das Forças de Defesa de Israel (IDF) e ataques de colonos na Cisjordânia continuam, assim como a violência persistente na Faixa de Gaza, ainda que um cessar-fogo esteja vigente desde 10 de outubro de 2025.
O Desafio das Urnas e o Papel de Netanyahu
Mais de sete milhões de eleitores têm a missão de decidir se renovam a confiança em Benjamin Netanyahu, que exerce o mandato mais longo como primeiro-ministro desde a criação do Estado de Israel. Com exceção do intervalo entre 2021 e 2022, quando Naftali Bennett e Yair Lapid estiveram no comando, Netanyahu lidera o país desde 2009. A votação, realizada por listas partidárias, distribuirá as 120 cadeiras do Knesset proporcionalmente aos votos, desde que os partidos ultrapassem o mínimo de 3,25%.
A apuração começa às 22h, logo após o fechamento das urnas, e os resultados oficiais são esperados até quarta-feira, 4 de novembro. O presidente Isaac Herzog terá a responsabilidade de designar quem poderá formar uma coalizão com maioria parlamentar. Pesquisas indicam cenário incerto. Netanyahu e aliados da direita somam cerca de 50 cadeiras, enquanto a oposição pode alcançar até 56. Nenhum bloco logra a maioria absoluta de 61 assentos.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Eleição Decisiva para o Futuro Político
Este pleito é considerado crucial para o equilíbrio interno e regional. A polarização gira em torno de Netanyahu, cuja liderança é marcada por alianças com a extrema direita, especialmente pelos ministros Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças). A campanha também sofre influência das investigações judiciais contra o premiê, além de críticas sobre sua condução diante dos alertas de inteligência sobre ataques de milícias islâmicas. Manifestações populares ocorreram regularmente, principalmente no início de 2023, refletindo insatisfação social.
Os Blocos Políticos e as Estratégias
A oposição forma um agrupamento diverso, que inclui o centro-direita representado por Naftali Bennett e Yair Lapid no bloco B’Yachad — que defende mudança sem inclinação à esquerda —, o nacionalista Avigdor Liberman (Yisrael Beytenu) e os progressistas liderados por Yair Golan (Democratas). Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior, destaca-se como novidade na disputa, liderando o partido Yashar e as pesquisas com apoio superior ao do Likud. Todos compartilham o objetivo comum de interromper o governo Netanyahu.
Os partidos árabes, como Lista Unida e Ra’am, projetam entre 14 e 16 cadeiras e podem influenciar a formação do governo. No entanto, a maioria da oposição, exceto Golan, rejeita integrá-los em coalizões. Essa rejeição dificulta formar uma maioria estável, o que leva a discussões sobre um possível governo de minoria, hipótese descartada por Liberman.
Coalizão de Netanyahu e Apoios Estrangeiros
Netanyahu mantém a coalizão que inclui o Likud, o voto das classes populares das periferias e a direita nacionalista, além de alianças com partidos extremistas como Sionismo Religioso, Otzma Yehudit e grupos ultraortodoxos como Shas. Recentemente, recebeu o apoio explícito do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu aos eleitores israelenses que votassem em seu favor, reforçando o peso internacional desta eleição.
O resultado das urnas terá impacto direto nos rumos administrativos e nas relações internacionais de Israel, especialmente considerando o quadro regional delicado. O próximo passo será a formação do governo, sob coordenação do presidente Herzog, que definirá o líder com maior capacidade para sustentar uma maioria no Knesset. A disputa reflete não apenas a política interna, mas também as dinâmicas de segurança e diplomacia na região.
