Redução de candidatos favorece definições no 1º turno
As eleições para governador em 2026 podem ser as mais rápidas dos últimos anos, com até 19 estados conhecendo seus vencedores já no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Essa projeção surge diante do cenário em que os governadores reeleitos ou atuais lideram as disputas, associada à redução no número de candidatos concorrendo.
Segundo pesquisas divulgadas até 25 de setembro, 11 dos 27 estados apresentam favoritos claros para vencer no primeiro turno. São eles: Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Além disso, quatro estados (Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco) enfrentam disputas acirradas entre dois candidatos, mas com os demais concorrentes distantes, o que também pode resultar em definição já no dia 4.
Disputas que podem consolidar recorde histórico
Outros quatro estados — Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rondônia e Acre — indicam nas últimas pesquisas a possibilidade de encerramento da disputa no primeiro turno. Caso todas essas projeções se confirmem, 19 eleições para governador serão decididas antecipadamente, o maior número desde 2002.
O recorde anterior pertence a 2010, quando 18 estados definiram seus governadores na primeira rodada. A média histórica entre 2002 e 2022 está próxima de 15 estados. Mesmo considerando um cenário mais conservador, com apenas as 11 disputas com favorito claro e as quatro acirradas, 2026 superaria essa média e igualaria o maior número registrado desde 2010.
Estratégia partidária reduz número de candidatos
Essa tendência não é resultado direto da preferência do eleitor, mas sim de estratégias adotadas pelas legendas. O número médio de candidaturas para governo estadual caiu de 8,3 em 2022 para 7,2 em 2026. Com menos nomes na disputa, os votos tendem a se concentrar entre dois ou três principais candidatos, facilitando que algum ultrapasse a metade dos votos válidos.
Essa retração está associada às regras eleitorais recentes, como a cláusula de desempenho, que restringe o acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral conforme o tamanho da bancada na Câmara dos Deputados. Assim, eleger deputados federais tornou-se prioridade para os partidos, que preferem concentrar recursos na chapa proporcional em vez de dispersá-los em candidaturas ao governo com poucas chances.
Leia também: Eleições 2026: Guia Completo para Eleitores Exercitarem o Voto com Segurança
Leia também: Eleições 2026: confira datas, horários e regras para votar no 1º e 2º turno
O histórico de 2010 serve como referência. Naquele pleito, o número médio de candidaturas caiu de 7,5 em 2006 para 6,2, e o país registrou 18 estados definidos no primeiro turno. Naquele momento, a economia crescia acima de 7% e a continuidade governamental era predominante, cenário distinto do atual.
Influência do governador na disputa
A presença do governador eleito em 2022 como candidato é outro fator que molda as eleições. Entre os nove governadores que concorrem, cinco são apontados como favoritos para vencer no primeiro turno: Piauí, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Mato Grosso do Sul. Outros três estados — Ceará, Bahia e Pernambuco — apresentam disputas acirradas que também podem ser encerradas no primeiro turno.
Essas eleições tendem a funcionar como plebiscitos sobre a gestão do governador, com oposição forte e pouco espaço para candidaturas alternativas. A exceção é o Amapá, onde a disputa é polarizada, mas o favorito é o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), e não o governador.
Sucessão sem governador em disputa
Nos estados onde o governador não concorre, a avaliação do eleitor sobre a continuidade do governo é decisiva para a eleição do sucessor. A intenção de voto no candidato governista está mais ligada à percepção de merecimento para eleger o sucessor do que à aprovação simples do governo.
Em Goiás e Paraíba, onde cerca de 70% ou mais da população consideram que o governo merece eleger o sucessor, o candidato da situação lidera confortavelmente. Em contrapartida, em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas, onde esse índice é baixo, a sucessão está mais incerta, com oposição forte e fragmentação da disputa rumo ao segundo turno.
Leia também: Brasil terá quase 2 milhões de mesários nas eleições de 2026, aponta Senado
Leia também: Eleições 2026: Saiba quais cargos estarão em disputa e como será a votação
O caso do Paraná se destaca. Apesar de 65% do eleitorado acreditar que Ratinho Junior (PSD) merece eleger o sucessor, quem lidera as pesquisas é Sergio Moro (PL), enquanto o candidato apoiado pelo governador, Sandro Alex (PSD), aparece com cerca de 20% das intenções de voto.
Perfis variados entre os favoritos
Nos estados onde o candidato governista não lidera isoladamente, os principais concorrentes apresentam perfis diversos. Entre eles estão ex-prefeitos de capitais com forte influência política, como João Campos (PSB) em Pernambuco, JHC (PSDB) em Alagoas, Eduardo Braide (PSD) no Maranhão, Allyson Bezerra (União) no Rio Grande do Norte e Lorenzo Pazolini (Republicanos) no Espírito Santo.
Também há nomes que representam as correntes políticas tradicionais, como Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul, Cleitinho (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) em Minas Gerais, além de lideranças consolidadas, como Omar Aziz (PSD) no Amazonas.
Possibilidades de alteração no cenário
O recorde de estados definidos no primeiro turno ainda não está garantido. Nas quatro disputas acirradas, pequenas variações podem alterar o resultado, e em alguns estados próximos a essa definição, a liderança ainda não está consolidada. Por outro lado, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo se afastaram da possibilidade de decisão já na primeira rodada, segundo as pesquisas recentes.
Mesmo assim, o panorama geral indica que, com partidos adotando estratégias mais econômicas para lançar candidatos e governadores dominando as disputas em que participam, 2026 tem boas chances de registrar o maior número de governadores eleitos no primeiro turno desde 2002.
