Confronto político expõe narrativas opostas no debate ao governo do Paraná
O debate televisivo entre candidatos ao governo do Paraná exibido na Band na noite do último domingo (9) foi marcado por divergências claras além das propostas apresentadas. Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) evidenciaram diferentes formas de construir suas narrativas políticas e se relacionar com o eleitorado estadual.
Antes mesmo do início, o evento gerou controvérsia devido à decisão da emissora de convidar apenas três dos oito candidatos ao governo, o que suscitou críticas. A ausência de Sérgio Moro (PL), que optou por não participar, também foi tema recorrente entre os presentes no estúdio.
Estratégias e discursos distintos dos candidatos
Requião Filho, deputado estadual e filho do ex-governador Roberto Requião, e Sandro Alex, ex-deputado federal e atual secretário de Estado, apresentaram visões políticas bastante distintas. Sandro Alex se posicionou como continuidade do governo de Ratinho Junior e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, adotando uma narrativa baseada no antipetismo, onde o Partido dos Trabalhadores é retratado como um inimigo comum.
Em sua fala, Sandro Alex repetiu o bordão “A polícia que governa, não a bandidagem”, reforçando uma dicotomia moral entre ordem e criminalidade. Ele também defendeu a unificação do número 190 para emergências, uma proposta que já tramita no Congresso desde 2011, mas que ainda não avançou. A defesa da continuidade administrativa foi reforçada com a apresentação das obras e resultados atribuídos à gestão atual, além do uso de slogans curtos e impactantes para fixar sua imagem.
Durante o debate, Sandro Alex utilizou termos como “equivocado”, “incoerente” e “mentiroso” para criticar Requião Filho, além de tentar associá-lo à esquerda e ao PT. A dimensão religiosa também esteve presente em seu discurso final, ao agradecer a Deus antes de citar aliados políticos. Entre suas bandeiras, destacou a defesa do mercado privado, da liberdade econômica e da manutenção das políticas de desestatização.
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Defesa do serviço público e valorização dos trabalhadores
Por outro lado, Requião Filho construiu sua narrativa em torno do fortalecimento dos serviços públicos, da valorização dos trabalhadores e do papel do Estado. Ao abordar segurança pública, ressaltou a importância de investir nos policiais militares, destacando questões como baixos salários e jornadas extensas.
O candidato recuperou a memória dos governos de seu pai para embasar suas propostas, afirmando: “Nós sabemos e vamos fazer”. Em relação ao litoral, criticou possíveis irregularidades nas licitações da Ponte de Guaratuba e defendeu investimentos contínuos em saneamento, não apenas em períodos de férias ou verão. Também destacou a ampliação da presença da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no litoral como estratégia para democratizar o acesso ao ensino superior.
Outro ponto de divergência foi a privatização da Copel. Requião Filho criticou a desestatização, associando-a ao aumento das tarifas e à piora nos serviços. Sandro Alex, em resposta, afirmou que os maiores acionistas da Copel são o povo paranaense, misturando questões de propriedade pública e participação acionária. A privatização da companhia foi autorizada pela Lei Estadual nº 21.272, de 2022, que permitiu a alienação do controle acionário pelo governo do Paraná, que mantém uma participação minoritária e uma golden share para veto em decisões estratégicas.
Questões não tradicionais e ausências estratégicas
Requião Filho também abordou temas que não costumam ser destaque em debates eleitorais, como a não adesão do Paraná ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, contrapondo-se às críticas de Sandro Alex sobre “ideologia” em políticas públicas. Essa abordagem questionou as consequências dessas escolhas para a população.
Na disputa política, Requião Filho contrapôs sua candidatura à movimentação inicial do ex-prefeito Rafael Greca, que desistiu de concorrer para integrar a chapa de Sandro Alex após articulação do governador Ratinho Junior. Essa aliança entre MDB e PSD reforça o projeto de continuidade representado por Sandro Alex.
A ausência de Sérgio Moro e a estratégia comunicacional
A ausência de Sérgio Moro no debate chamou atenção e foi estrategicamente aproveitada em sua comunicação. O candidato publicou um vídeo nas redes sociais para justificar a ausência, alegando que o debate seria um “jogo combinado”. Essa ação integrada entre redes sociais, assessoria e imprensa garantiu repercussão mesmo sem sua presença no palco, estratégia já observada em campanhas anteriores no país.
Conclusão: duas visões para o futuro do Paraná
O debate expôs mais do que propostas: revelou duas formas distintas de interpretar o papel do Estado e apresentar projetos para o Paraná. Sandro Alex defende a continuidade do atual governo, associando-se a uma agenda de mercado privado, liberdade econômica e combate à esquerda. Requião Filho aposta na valorização do serviço público, dos trabalhadores e na presença ativa do Estado.
Mais que apontar um vencedor, o confronto mostrou as narrativas que cada candidato pretende construir e como enxergam o desenvolvimento do estado. O eleitor paranaense terá a missão de escolher não apenas um gestor, mas uma visão de futuro para a administração pública.
