Investimento robusto para a economia azul no Brasil
O Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) anunciou um compromisso ambicioso: investir US$ 2,5 bilhões em iniciativas ligadas à economia azul até 2030, contemplando 16 estados brasileiros. O montante supera em duas vezes a meta anterior de US$ 1,25 bilhão, que já foi ultrapassada com US$ 1,32 bilhão aplicados entre 2022 e 2025.
Carlos Charme, representante do CAF no Brasil, divulgou o plano durante o evento “Brasil Azul”, realizado em 11 de julho. A iniciativa visa conectar prioridades locais com fundos verdes e linhas de crédito concessional, que oferecem condições favoráveis, como juros abaixo da média do mercado e prazos estendidos, para financiar projetos sustentáveis.
Impacto direto em 65 cidades e setores estratégicos
Segundo Charme, cerca de 65 municípios brasileiros já são beneficiados pelos projetos financiados pelo CAF, que abrangem áreas essenciais como saneamento, turismo responsável, pesca sustentável, logística, energia renovável, biodiversidade e resiliência climática. O objetivo é garantir a preservação dos oceanos, fortalecer as comunidades costeiras e fomentar tecnologias limpas, além de modernizar portos para torná-los mais sustentáveis.
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O Brasil tem uma extensa zona costeira que inclui 17 estados e 279 municípios, rica em ativos naturais como manguezais, estuários, recifes, praias, dunas e lagoas. Essa região sustenta setores-chave da economia nacional, o que torna a economia azul uma área estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país.
Economia azul e seu peso no Produto Interno Bruto
As atividades diretamente ligadas à economia azul contribuem com cerca de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Quando considerados os efeitos indiretos e os encadeamentos produtivos relacionados, esse impacto pode ultrapassar 6%. Para o CAF, isso reforça que investir no mar e nas regiões costeiras é também investir em geração de empregos, inovação, infraestrutura resiliente e crescimento regional.
O histórico do CAF no Brasil ilustra essa trajetória. Em Fortaleza, por exemplo, a parceria com a instituição já dura mais de 15 anos, resultando em investimentos significativos em arborização, drenagem sustentável, recuperação de espaços públicos, fortalecimento da Agência do Mar e na construção de uma agenda municipal de economia azul.
Estratégia abrangente para preservar os oceanos
A nova estratégia do CAF para a economia azul sustentável define um marco que orienta o desenvolvimento de sistemas produtivos ligados aos oceanos com foco em cinco eixos principais:
- Gestão e conservação dos recursos marinho-costeiros, incluindo restauração de ecossistemas;
- Fomento à energia azul, com ênfase em energias renováveis oceânicas e redução da pegada de carbono;
- Promoção do turismo e recreação sustentáveis que gerem renda para as comunidades locais;
- Investimento em inovação e tecnologia, como biotecnologia marinha e infraestrutura digital;
- Fortalecimento da governança, com políticas públicas, marcos legais e articulação entre setores.
Esse esforço representa uma resposta concreta para ampliar a sustentabilidade econômica e ambiental da região, alinhando políticas públicas e investimentos privados para fortalecer a economia azul no Brasil e na América Latina.
