Início da votação e impacto político
Mais de 58 milhões de americanos já participaram da votação antecipada, e milhões ainda devem comparecer às urnas nesta terça-feira, 3, nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Esse pleito determina o controle do Congresso dos Estados Unidos e diversos cargos estaduais e municipais. O resultado será decisivo para o equilíbrio político do país.
O desafio está na força política de Donald Trump, que governou os dois primeiros anos de seu segundo mandato com maioria republicana na Câmara dos Deputados e no Senado. Os democratas tentam retomar o controle do legislativo para conter a agenda do presidente americano. Todas as 435 cadeiras para deputados e 35 das 100 vagas para senadores estão em disputa.
Funcionamento da votação e diferenças estaduais
O estado de Vermont, no nordeste dos EUA, foi o primeiro a abrir as urnas, às 7h no horário de Brasília, com encerramento previsto para as 21h. Até as 11h, 42 estados e o distrito de Columbia, onde está Washington D.C., já haviam iniciado a votação. Os últimos locais a fechar as urnas serão Alasca e Havaí, com encerramento máximo às 23h de Brasília.
Porém, não há uma resposta simples para a pergunta sobre o horário em que os resultados serão conhecidos. Isso porque, nos Estados Unidos, não existe uma autoridade eleitoral centralizada, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Brasil. Cada estado gerencia seu sistema de votação e contagem dos votos, que podem ser presenciais — antecipados ou no dia da eleição — ou por correio, com cédulas em papel.
Apuração e projeção dos resultados
Quando a disputa é clara, os vencedores podem ser conhecidos quase que imediatamente. Em confrontos mais acirrados, a apuração pode levar horas, dias ou até semanas. Em 2024, conforme dados do Laboratório de Ciência e Dados Eleitorais do MIT, a maior parte dos votos foi contabilizada em cerca de oito horas. Após dois dias, todos os estados, exceto a Califórnia, já haviam apurado mais de 75% dos votos.
As cédulas são escaneadas por máquinas e processadas digitalmente, mas o processo inclui contagens manuais parciais e auditorias para garantir a precisão dos resultados. A agência Associated Press (AP) projeta vencedores com base em dados preliminares, mas essas projeções não interferem na contagem oficial. A AP projeta um vencedor apenas quando está “altamente confiante no resultado”, considerando regras locais, histórico eleitoral e padrões de retorno das cédulas.
Desafios na apuração e prazos variáveis
Durante a apuração, candidatos podem alternar a liderança, fenômeno conhecido como “miragem vermelha” ou “deslocamento azul”, quando um republicano lidera inicialmente, mas perde posteriormente. O voto por correio influencia essas mudanças e varia entre os estados.
Algumas unidades federativas aceitam cédulas enviadas por correio dias após a eleição, desde que postadas até o dia do pleito — prática confirmada recentemente pela Suprema Corte americana. Em outros locais, o processamento das cédulas por correio que chegam no dia da eleição ocorre antecipadamente, permitindo liberação rápida dos resultados.
Existem períodos chamados “curing periods”, que permitem aos eleitores corrigir ou confirmar informações em suas cédulas enviadas por correio, garantindo a validação do voto. Essas cédulas são geralmente as últimas a serem contabilizadas.
Recontagem e impacto na divulgação dos resultados
Quando a diferença entre candidatos é inferior a um ponto percentual, o estado ou município pode iniciar uma recontagem automática dos votos, o que pode atrasar a divulgação oficial. Os veículos de imprensa evitam declarar vencedores nesses casos até que o processo seja concluído.
