Contestações do Novo sobre resultado eleitoral
O presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, publicou uma crítica nas redes sociais questionando a legitimidade do resultado das eleições presidenciais. Ribeiro apontou o uso da máquina pública e do Supremo Tribunal Federal (STF) como fatores que teriam influenciado o pleito, referindo-se à decisão do ministro Cristiano Zanin que estendeu o horário de votação até às 19h, medida solicitada também pelo PL.
Segundo ele, “o resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia”. Ribeiro afirmou que o PT teria recorrido à máquina pública e ao STF para se manter no poder e que há três ações judiciais solicitando a cassação da chapa Lula-Alckmin, ressaltando que cabe à Justiça cumprir seu papel.
Reação da Justiça Eleitoral e posicionamento de Flávio Bolsonaro
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a regularidade do processo eleitoral e reconheceu a vitória do presidente Lula ainda no domingo (25), após a totalização dos votos. Apesar disso, Flávio Bolsonaro declarou não reconhecer o resultado e anunciou que entraria com pedido de anulação da votação.
Logo após a derrota nas urnas, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e divulgou uma carta em que se autoproclamou “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”, além de acusar fraude eleitoral e negar o resultado do segundo turno.
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Em resposta, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), reafirmou que a Justiça Eleitoral conduziu o pleito com segurança e que as eleições transcorreram normalmente.
Estratégia do Novo diante da disputa interna na direita
Eduardo Ribeiro esclareceu que o Novo não reconhece a vitória da chapa Lula-Alckmin enquanto as ações judiciais estiverem em curso e que o partido não pretende entrar em disputas internas da direita. Ribeiro destacou que o partido mantém “as portas abertas” para quadros que se identifiquem com a legenda, caracterizada como de direita, liberal e conservadora.
O partido optou por não se manifestar sobre a carta de Flávio Bolsonaro, que questiona o resultado eleitoral em tom golpista, o que, segundo apuração do g1, faz parte de uma estratégia para explorar uma divisão dentro da direita, especialmente no PL, entre quem apoia ou rejeita o discurso de Flávio.
Desdobramentos políticos e críticas internas
Após a revelação de áudios nos quais Flávio Bolsonaro solicita recursos financeiros para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador Romeu Zema foi um dos primeiros a criticar a relação entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. Zema classificou a atitude de Flávio Bolsonaro como imperdoável e um “tapa na cara dos brasileiros de bem”.
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Entretanto, essas declarações geraram desconforto dentro do partido, e Zema foi pressionado a moderar o tom para evitar prejuízos nas campanhas locais em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Posteriormente, Zema passou a defender a união da direita para derrotar o PT, mas acabou isolado e perdeu o apoio de lideranças ainda no primeiro turno.
Um exemplo dessa ruptura foi o deputado Marcel Van Hattem, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro poucos dias antes do primeiro turno e foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul.
Desempenho eleitoral e desafios para o Novo
O Novo enfrentou dificuldades nas eleições presidenciais, com Romeu Zema ficando na sexta colocação, recebendo apenas 326.488 votos, o que corresponde a 0,27% dos votos válidos. Esse desempenho foi inferior ao do candidato Felipe D’Avila em 2022, que conquistou 559.708 votos, 0,47% do total.
A cláusula de desempenho, que exige que partidos atinjam um percentual mínimo de votos válidos para manter acesso a recursos do Fundo Partidário e tempo de propaganda eleitoral, impõe desafios para o Novo diante do resultado obtido.
