Contexto das Eleições de Meio de Mandato nos EUA
Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizam as Eleições de Meio de Mandato, conhecidas como midterms. Estão em disputa os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Atualmente, o Partido Republicano mantém a maioria em ambas as casas legislativas.
Uma pesquisa da CNN, conduzida pela SSRS, mostrou que os eleitores sinalizam uma possível mudança no controle do Congresso, com os democratas liderando os republicanos por oito pontos percentuais. Levantamentos recentes indicam uma provável reversão, ao menos em uma das casas do Legislativo.
Essa votação ocorre em um cenário de baixa popularidade do presidente Donald Trump, cuja aprovação média está em 36%, conforme a média de pesquisas da CNN. Historicamente, o partido do presidente tende a perder cadeiras nas eleições de meio de mandato. Bruce Stokes, pesquisador associado do Chatham House, ressalta que desde a Segunda Guerra Mundial, o partido no poder perdeu assentos em todas as eleições de meio de mandato, exceto em duas ocasiões. Além disso, nas últimas cinco eleições, pelo menos uma casa do Congresso mudou de controle.
O Que Significa Perder a Maioria no Congresso?
O controle da maioria em cada casa do Congresso permite a um partido definir quais propostas serão submetidas à votação e quais emendas serão analisadas. William Bianco, professor de Ciência Política da Universidade de Indiana, explica que o partido majoritário também lidera as comissões parlamentares, coordenando investigações federais e elaborando propostas orçamentárias.
Assim, a perda da maioria pelos republicanos traria significativas mudanças na dinâmica legislativa e de fiscalização do governo.
Consequências do Controle Democrata na Câmara
Para o pesquisador Bruce Stokes, uma eventual maioria democrata na Câmara representa um desafio direto ao presidente Trump. Mesmo que os democratas conquistem apenas uma das casas do Congresso, o governo enfrentaria até dois anos de investigações parlamentares. Essas apurações podem englobar doações corporativas, supostos acordos de pagamento por influência e investimentos de fundos soberanos estrangeiros em empresas vinculadas à família Trump.
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A repórter da CNN, Annie Grayer, relata que parlamentares democratas já se organizam para abrir investigações abrangentes caso assumam a Câmara. Entre os focos estão a guerra com o Irã, o projeto de construção de um salão de baile na Casa Branca, os negócios familiares de Trump e o manejo dos arquivos do Caso Epstein.
Em vez de buscar um processo de impeachment imediato, os democratas planejam ações judiciais para obter documentos e depoimentos rapidamente. O deputado Jamie Raskin, provável líder do Comitê Judiciário da Câmara em caso de vitória democrata, afirmou que utilizarão todas as ferramentas disponíveis para garantir o acesso às provas necessárias.
Investigações Financeiras e Impactos no Mercado
Além das investigações políticas, os democratas pretendem apurar agentes financeiros ligados a Trump, como a 1789 Capital, empresa de capital de risco da qual Donald Trump Jr. é sócio, e fundos soberanos estrangeiros que investem em entidades ligadas à família presidencial.
Michael Townsend, analista político da corretora Charles Schwab, avalia que a maior consequência política para os investidores é a possibilidade de um governo dividido. Isso traria maior fiscalização sobre o governo Trump, menos espaço para grandes projetos republicanos e riscos em negociações orçamentárias futuras, incluindo o teto da dívida em 2027.
Um Senado republicano combinado com uma Câmara dominada pelos democratas resultaria em um governo com capacidade legislativa limitada, mas com pressão significativa em termos de fiscalização e negociações fiscais.
Possibilidades com o Controle Democrata no Senado
Townsend destaca que o controle do Senado é decisivo para confirmar juízes, reguladores e altos funcionários, além de viabilizar grandes projetos de lei. Uma vitória democrata em ambas as casas mudaria substancialmente o segundo mandato de Trump, aumentando a fiscalização e tornando as nomeações mais contenciosas.
Ian Bremmer, cientista político e fundador do Eurasia Group, ressalta a dificuldade dos democratas em conquistar o Senado, já que precisam defender 13 cadeiras e ganhar quatro dos republicanos, incluindo estados onde Trump obteve ampla maioria. Ainda assim, as últimas pesquisas indicam cenário favorável aos democratas e a disputa permanece aberta.
Segundo Bremmer, as mudanças imediatas com um Senado democrata podem ser menores do que aparentam, já que o governo Trump já opera com impasse legislativo, governando por decretos e contornando o Congresso. Investigações e processos conduzidos por uma Câmara democrata seriam ofuscados pela resistência da Casa Branca.
O analista observa que o Senado controlado pelos democratas poderia paralisar confirmações de juízes e altos funcionários, além de fortalecer a barganha em negociações orçamentárias. Contudo, o governo pode utilizar secretários interinos para driblar a necessidade de aprovações no Senado.
Para os democratas, a meta estratégica é alcançar a chamada “trifecta” em 2029, controlando Câmara, Senado e Casa Branca.
