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    Midterms: o que esperar das eleições de meio de mandato nos EUA

    Bianca SilvaPor Bianca Silvanovembro 2, 2026Nenhum comentário4 min de leitura
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    Midterms: o que esperar das eleições de meio de mandato nos EUA
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    Início das eleições de meio de mandato nos EUA

    As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos começam na terça-feira (3), convocando os eleitores a renovarem toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Este pleito é amplamente interpretado como um termômetro direto da administração de Donald Trump, que tem intensificado sua presença em comícios pelo país para tentar preservar a maioria republicana no Congresso.

    O analista sênior de Internacional Américo Martins, em entrevista à CNN Novo Dia, destaca que a atuação de Trump na campanha evidencia a preocupação do Partido Republicano com o desfecho das eleições. “Essas eleições estão sendo encaradas por muita gente, por muitos eleitores, como uma espécie de referendo sobre a administração do presidente Donald Trump”, afirmou Martins.

    Estrutura e disputas em jogo

    Estão em disputa 435 cadeiras na Câmara dos Representantes e 35 assentos no Senado. Conhecidas como “midterms”, essas eleições definem a composição do Congresso para a segunda metade do mandato presidencial de quatro anos, além de cargos locais que variam conforme o estado.

    A correspondente da CNN Mariana Janjácomo observa que a insatisfação popular costuma favorecer a oposição: “Quanto mais insatisfeita a população, mais a oposição tende a conquistar espaço”. Para compreender o processo, é fundamental saber que cada um dos 50 estados americanos possui dois senadores, com mandatos de seis anos e possibilidade de reeleição indefinida. A cada dois anos, um terço das cadeiras no Senado entra em disputa. Já a Câmara dos Representantes é dividida em 435 distritos, cada um com um deputado eleito para mandatos de dois anos. Estados mais populosos, como a Califórnia, possuem maior número de representantes, com 52 cadeiras no total.

    Leia também: Pesquisa mostra vantagem dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA

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    Possíveis impactos para a governabilidade de Trump

    Atualmente, os republicanos mantêm a maioria em ambas as casas do Congresso. No entanto, pesquisas indicam uma forte chance de os democratas assumirem o controle da Câmara dos Representantes e, em menor proporção, do Senado. Segundo Américo Martins, uma vitória democrata poderia resultar em bloqueios às políticas do presidente, abertura de investigações sobre sua gestão e até discussão de um processo de impeachment na Câmara.

    “Os democratas poderão, em primeiro lugar, bloquear muito as políticas do presidente Donald Trump; em segundo lugar, abrir investigações contra o presidente, o que preocupa muito a Casa Branca”, afirmou o analista. Entre os temas que podem ser alvo das investigações estão a decisão de Trump de entrar em conflito com o Irã sem autorização do Congresso, políticas de imigração consideradas excessivas e suspeitas de enriquecimento envolvendo membros da família Trump e o próprio presidente.

    Martins ressalta que, segundo dados oficiais da Casa Branca, Trump aumentou seu patrimônio em US$ 2 bilhões no primeiro ano de mandato, fato que será objeto de apuração pelos democratas. Além disso, uma eventual maioria democrata no Senado poderia bloquear nomeações presidenciais para o sistema judicial e agências reguladoras, influenciando diretamente o funcionamento do governo.

    Fator econômico e desafios eleitorais

    O custo de vida elevado tem sido o principal motivador dos eleitores a se voltarem para os democratas, de acordo com o correspondente Américo Martins. “É o grande problema nos Estados Unidos, especialmente depois do início da guerra no Irã. Os americanos sentem o aumento dos preços, especialmente a questão do combustível, que tem uma implicação na economia inteira”, explicou o analista.

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    O impacto econômico dificulta a eleição de candidatos republicanos até mesmo em estados onde Trump venceu com ampla margem há dois anos, indicando um cenário eleitoral mais desafiador para o partido no poder.

    Controvérsias eleitorais: gerrymandering e voto pelo correio

    Duas questões polêmicas marcam este ciclo eleitoral. A primeira é o “gerrymandering”, prática que consiste na manipulação dos mapas dos distritos eleitorais para favorecer um partido. O termo combina o nome do político Elbridge Gerry, pioneiro na estratégia, com a palavra “salamander” (salamandra), devido ao formato estranho dos distritos desenhados. Sete estados aprovaram novos mapas que tendem a favorecer os republicanos, enquanto dois estados adotaram mapas favoráveis aos democratas.

    A segunda controvérsia envolve o voto pelo correio, modalidade cada vez mais utilizada nos Estados Unidos. Donald Trump alega, sem apresentar provas, que essa forma de votação favorece fraudes eleitorais, mesmo sendo um método que ele próprio utiliza para votar.

    Congresso dos EUA Donald Trump Eleições de meio de mandato midterms
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    Bianca Silva

    Bianca Silva assina a cobertura de politica no portal Agenda Pública, com atenção aos temas que impactam Brasil, Brasília. Sua biografia editorial será refinada assim que a geração assistida estiver disponível.

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