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    Como ‘Power Couples’ da Política Impulsionam Primeiras-Damas ao Senado

    Bianca SilvaPor Bianca Silvaoutubro 18, 2026Nenhum comentário4 min de leitura
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    Como 'Power Couples' da Política Impulsionam Primeiras-Damas ao Senado
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    Senado e a ascensão das primeiras-damas novatas

    Renan Calheiros (MDB) e Randolfe Rodrigues (PT) encerram suas trajetórias no Senado em 2027 após não serem reeleitos. Eles serão substituídos por duas mulheres sem experiência anterior em cargos eletivos: Marina JHC (PSDB), em Alagoas, e Rayssa Furlan (Podemos), no Amapá. Ambas são casadas com políticos eleitos governadores no primeiro turno — João Henrique Caldas (PSDB) e Dr. Furlan (PSD), respectivamente.

    O peso dos vínculos familiares na política

    Dentre as 12 senadoras eleitas este ano, sete possuem ligações familiares com políticos que ocuparam cargos executivos, como prefeitos, governadores ou presidentes. Quatro delas são ex-primeiras-damas que nunca exerceram mandato eletivo: Marina JHC, Rayssa Furlan, Michelle Bolsonaro (PL-DF) — casada com Bolsonaro (PL) — e Gracinha Caiado (União Brasil-GO), esposa do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).

    Esse fenômeno evidencia a influência dos chamados “power couples” da política, que exploram a imagem pública e reforçam o poder dos clãs familiares em suas regiões e até em âmbito nacional.

    Perfis e trajetórias dos novos nomes no Senado

    Marina JHC, nascida em 1990 em Cuiabá (MT), é formada em administração e nora de João Caldas, ex-deputado estadual e federal. A primeira suplente na sua chapa é sua sogra, Dra. Eudócia. Seu marido, João Henrique Caldas, conhecido como “JHC”, foi eleito prefeito de Maceió em 2020 e reeleito em 2024, obtendo cerca de 83% dos votos válidos no primeiro turno, além de conquistar 52% dos votos para o governo estadual.

    Rayssa Furlan, dermatologista de 39 anos, é a primeira mulher eleita senadora pelo Amapá. Ela atuou como secretária municipal de Mobilização e Participação Popular na gestão do marido, Dr. Furlan, médico que foi eleito prefeito de Macapá em 2020 e reeleito em 2024 com 85% dos votos no primeiro turno. O primeiro suplente da chapa de Rayssa é seu cunhado, Neto Furlan.

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    Fonte: daquibahia.com.br

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    Fonte: alagoasinforma.com.br

    O fortalecimento da representação feminina com vínculos políticos

    Gracinha Caiado, aos 67 anos, também tem atuação política ligada ao marido Ronaldo Caiado. Ela presidiu a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e participou da criação do programa Goiás Social, ambos ligados ao governo estadual.

    Segundo Mayra Goulart, cientista política e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM), a eleição para o Senado é majoritária e está associada a relações de apoio ou oposição ao governador do Estado. Candidatas que se vinculam a nomes fortes locais têm maior facilidade para conquistar diferentes regiões.

    Aumento da presença de senadoras com laços familiares

    Em comparação a 2018, quando apenas 28,6% das senadoras eleitas tinham vínculos familiares, neste ano esse percentual subiu para 58,3%. Todas as quatro novas senadoras são estreantes na política, mas chegam com capital familiar consolidado, o que relativiza a ideia de renovação.

    Gracinha Caiado destaca que sua trajetória é própria, mas que a relação familiar com o marido, Ronaldo Caiado, é positiva e trouxe resultados para Goiás. Ela pretende exercer seu mandato com responsabilidade e compromisso, sendo avaliada por suas ações.

    Investimento da direita em candidaturas femininas

    Além das primeiras-damas, outras senadoras eleitas possuem laços familiares com políticos, como Teresa Surita (MDB-RR), ex-mulher de Romero Jucá; Marília Arraes (PDT-PE), neta de Miguel Arraes; e Mara Rocha (Republicanos-AC), irmã do ex-deputado Major Rocha.

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    Fonte: bahnoticias.com.br

    Dessas sete senadoras, cinco são de partidos considerados de direita, uma de centro e uma de esquerda. A cientista política Mayra Goulart aponta que partidos de direita têm investido na formação de quadros femininos, com base em discursos conservadores que valorizam a família tradicional e um papel submisso da mulher.

    Michelle Bolsonaro, por exemplo, presidiu o PL Mulher e contribuiu para o crescimento do partido, que teve o maior número de eleitos no Congresso. Esse investimento também está ligado à ascensão de primeiras-damas ao Senado.

    Desenvolvimento da bancada feminina e desafios eleitorais

    As senadoras eleitas destacam em suas redes sociais o papel de mães e mulheres, comprometendo-se com pautas voltadas para mulheres e crianças. A legislação exige que os partidos preencham pelo menos 30% das candidaturas com mulheres e destinem a elas recursos de campanha equivalentes.

    No entanto, a concentração de recursos em poucas candidaturas femininas limita a expansão da representação feminina na política. A eleição majoritária para o Senado também dificulta a entrada de novas mulheres, ao contrário das eleições proporcionais.

    Esta eleição registrou o maior número de mulheres eleitas para o Senado desde a redemocratização: 12 senadoras, correspondendo a 22,2% das vagas, superando o recorde anterior de 8 em 2002. A maioria das eleitas possui ensino superior completo, tem idade média de 51,8 anos e é predominantemente branca.

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    Bianca Silva

    Bianca Silva assina a cobertura de politica no portal Agenda Pública, com atenção aos temas que impactam Brasil, Brasília. Sua biografia editorial será refinada assim que a geração assistida estiver disponível.

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