Decisões que moldam o futuro do Congresso
Dos 567 deputados e senadores com mandatos sujeitos à renovação nas eleições de 2026, 27 optaram por não disputar as urnas. Entre eles, pelo menos 12 parlamentares encerram suas carreiras na política eleitoral por motivos diversos, como aposentadoria, questões pessoais, problemas de saúde, mudança de trajetória profissional ou para abrir espaço a uma nova geração familiar. Essa saída, contudo, não significa afastamento total da vida pública, como demonstra o caso de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que foi escolhido pelo Congresso para assumir uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Outros, como Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), planejam continuar atuando nos debates e formulações políticas fora do mandato eletivo.
Senadores que encerram seus mandatos
Entre os senadores que concluem suas trajetórias está Luis Carlos Heinze (PP-RS), que encerra quase 30 anos de atuação parlamentar. Engenheiro agrônomo e produtor rural, iniciou sua carreira política no Rio Grande do Sul, ocupando cargos como secretário de Agricultura de São Borja e prefeito do município. Em 1999, chegou à Câmara dos Deputados, onde permaneceu por cinco mandatos consecutivos, antes de assumir o Senado em 2019. Heinze comunicou em março que não disputaria nenhum cargo em 2026, recusando convite para ser vice na chapa de Luciano Zucco (PL) ao governo gaúcho, e confirmou que encerrará sua carreira eleitoral ao final do mandato atual.
Paulo Paim (PT-RS), com 40 anos de atuação parlamentar, também se despede do Congresso. Ex-metalúrgico e dirigente sindical, foi eleito deputado federal em 1986 e participou da elaboração da Constituição de 1988. Após quatro mandatos na Câmara, está no Senado desde 2003, completando o terceiro mandato consecutivo. Aos 76 anos, Paim optou por não disputar a reeleição, mencionando a necessidade de dedicar mais tempo à saúde e a passagem do bastão para uma nova geração.
Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) encerra sua única experiência em cargo eletivo. Economista e empresário, eleito senador pelo Paraná em 2018 com quase 3 milhões de votos, já havia declarado que não buscaria reeleição, defendendo a renovação constante das lideranças e rejeitando a carreira política como trajetória prolongada.
Rodrigo Pacheco (PSB-MG) terá um desfecho distinto. Advogado e político desde 2014, quando foi eleito deputado federal, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e foi senador desde 2018, liderando o Senado e o Congresso em dois biênios consecutivos. Embora descartasse candidatura ao governo mineiro e sinalizasse o fim da carreira eleitoral para retornar à advocacia, Pacheco foi indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ocupar uma vaga no TCU após a saída do ex-ministro Bruno Dantas.
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Fonte: soudebh.com.br
Flávio Arns (PSB-PR), professor e político com mais de 30 anos de vida pública, anunciou que não buscará novo mandato após uma trajetória que inclui três mandatos como deputado federal, dois períodos no Senado, além do exercício do cargo de vice-governador do Paraná. Em carta aberta, Arns afirmou que seus principais objetivos foram alcançados e que pretende seguir atuando em causas sociais, como educação e inclusão, fora do mandato.
Jorge Kajuru (PSB-GO), após carreira como jornalista esportivo, foi vereador e senador por Goiás. Diagnosticado com Parkinson em dezembro de 2025, decidiu não renovar seu mandato e priorizar cuidados de saúde, planejando retorno ao jornalismo.
Deputados federais que se despedem
Na Câmara, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) encerra o atual mandato após nove passagens pelos Legislativos estadual e federal. Engenheiro e professor, com experiência em secretarias de governo, Jardim optou por não disputar o décimo mandato, mas pretende continuar atuando na política como conselheiro e consultor, especialmente em áreas como energia, infraestrutura, agronegócio e sustentabilidade.
Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) finaliza uma trajetória de 54 anos na vida pública, que inclui mandatos como vereador e prefeito de Cambé (PR), secretário da Fazenda e deputado federal desde 1991. Hauly pretende se dedicar a propostas fora do Legislativo, focando em reforma tributária, fortalecimento dos pequenos negócios e maior participação dos municípios na distribuição de recursos.
Márcio Biolchi (MDB-RS) iniciou sua carreira política como vereador em Carazinho (RS) e passou por três mandatos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul antes de assumir a Câmara em 2015. Advogado, também ocupou cargos no Executivo estadual. Biolchi decidiu não concorrer à reeleição e planeja retornar ao setor privado.
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Fonte: omanauense.com.br
Eriberto Medeiros (PSB-PE), com quase 30 anos em cargos eletivos, incluindo presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco, não disputará a reeleição para se dedicar à saúde e vida pessoal. Seu grupo familiar, porém, mantém presença na política local com a candidatura de Eriberto Filho.
Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), empresário de Governador Valadares, encerra dois mandatos consecutivos na Câmara. Ele prepara a candidatura do filho, Vinícius Diniz, para assumir a vaga.
José Rocha (União-BA), médico e ex-dirigente esportivo, com 48 anos de atuação legislativa, não disputará o nono mandato na Câmara e apoia a candidatura do filho Manuel Rocha, deputado estadual, para a sucessão.
Transição e renovação no Congresso
As decisões de Zucco (PL), Cambé (PR), Carazinho (RS) e Valadares (MG) refletem uma fase de transição no Congresso Nacional, marcada pelo fim de ciclos políticos longos e pela abertura para novos atores. A saída desses parlamentares impacta diretamente a composição das Casas Legislativas, exigindo articulação para reposição das cadeiras e continuidade das pautas institucionais. A renovação, ao mesmo tempo em que representa o fechamento de capítulos relevantes, traz desafios para a manutenção das políticas públicas e o equilíbrio das forças políticas no Congresso, cenário que será acompanhado de perto nos próximos movimentos eleitorais e administrativos.
