Influenciadores Digitais e o Cenário Eleitoral
O Brasil conta com mais de 10 milhões de influenciadores digitais com pelo menos mil seguidores no Instagram, posição que coloca o país em segundo lugar no ranking global, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo levantamento da Nielsen. Esse universo expressivo de criadores de conteúdo tem ganhado relevância no contexto político, especialmente durante o período eleitoral.
Esses influenciadores podem mobilizar audiências significativas, levando debates sobre propostas, candidatos e cidadania a milhares ou até milhões de pessoas nas redes sociais. Embora o rádio e a televisão mantenham papel importante por meio do horário eleitoral gratuito, as plataformas digitais vêm se firmando como espaços centrais para a circulação de informações eleitorais.
Redes Sociais como Fonte de Informação
O Digital News Report 2026, produzido pelo Instituto Reuters em parceria com a Universidade de Oxford, revela que 53% dos brasileiros utilizam semanalmente redes sociais e plataformas de vídeo para se informar. Destes, 33% acompanham conteúdos produzidos por influenciadores focados principalmente em notícias.
Desde 2014, a professora Issaaf Karhawi, da Escola de Comunicações e Artes da USP, estuda a cultura dos influenciadores digitais no Brasil. Em entrevista ao programa Cidadania Senado Verifica, da TV Senado, ela ressaltou a responsabilidade desses criadores na circulação de informações durante as eleições.
“Os influenciadores digitais devem se responsabilizar pelo espaço que ocupam. O cuidado com a informação é imprescindível”, afirmou a pesquisadora.
Regras do TSE para a Participação de Influenciadores em 2026
Conforme explica o consultor legislativo Rodrigo Marengo, a Resolução 23.755, de 2026, atualizou as normas para as eleições deste ano. Embora não mencione diretamente a palavra “influenciador”, a resolução permite a veiculação de propaganda eleitoral em perfis de pessoas naturais, desde que sem qualquer remuneração ou impulsionamento.
“As regras vigentes permitem que os influenciadores participem ativamente da propaganda eleitoral, desde que de forma totalmente gratuita e sem a realização de impulsionamento de conteúdo”, esclarece Marengo.
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Isso impede que candidatos, partidos ou federações partidárias contratem ou ofereçam benefícios a influenciadores para divulgação de propaganda eleitoral, direta ou indiretamente.
Além disso, os influenciadores mantêm sua liberdade de expressão como eleitores comuns, desde que respeitem limites como a proibição do anonimato, a vedação de ofensas a candidatos e partidos, a não incitação a atos ilícitos e o combate à divulgação de fake news.
Desafios e Transparência na Comunicação Digital
A linha entre manifestação espontânea, publicidade e propaganda eleitoral torna-se tênue no ambiente digital, dificultando a identificação do conteúdo pelo público. A professora Issaaf destaca que influenciadores podem aproximar eleitores do processo eleitoral, desde que atuem com transparência e responsabilidade.
“Um problema na comunicação dos influenciadores é perceber a distinção entre o que é pessoal e o que é comercial”, explicou.
Inteligência Artificial e Personagens Fictícios nas Eleições
Outro ponto relevante para 2026 é o uso da inteligência artificial (IA) na criação de conteúdos eleitorais. Ferramentas que produzem ou modificam imagens, vídeos e áudios podem gerar personagens fictícios, o que dificulta a identificação da veracidade das informações.
A justiça eleitoral estabeleceu regras específicas para conteúdos sintéticos, exigindo que materiais produzidos ou alterados por IA sejam claramente identificados, com destaque e indicação da tecnologia utilizada.
Segundo Rodrigo Marengo, personagens fictícios criados por IA podem ser usados em propaganda eleitoral, desde que o responsável informe explicitamente que o conteúdo foi fabricado ou manipulado por inteligência artificial.
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Denúncias de Irregularidades Durante as Eleições
Abusos cometidos por influenciadores digitais, como propaganda eleitoral paga ou publicações irregulares, podem ser denunciados por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral. Para facilitar a análise, é recomendável guardar links, capturas de tela, além de registrar data, horário e perfil responsável pela publicação.
Diálogo entre Justiça Eleitoral e Influenciadores
Em 25 de agosto de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reuniu 15 criadores de conteúdo que, juntos, alcançam cerca de 45 milhões de pessoas nas redes sociais. O encontro fez parte da iniciativa Confirm@: 30 anos de urna eletrônica, promovida pelo TSE e pela organização Redes Cordiais, com apoio do YouTube e TikTok.
O objetivo foi aproximar a Justiça Eleitoral dos influenciadores, ampliando a divulgação de informações confiáveis sobre o processo eleitoral. A proposta inclui capacitar criadores para explicar, de forma acessível, como funcionam a segurança e a fiscalização do sistema eleitoral, especialmente para jovens e comunidades periféricas.
Maria Helena e Tarcísio Cabral, do canal @60demais, participaram do encontro. Engenheiros aposentados, produzem conteúdos que orientam o público acima de 60 anos sobre segurança digital e a importância de buscar informações confiáveis antes de votar.
Guia para Influenciadores nas Eleições
O InternetLab, em parceria com o Redes Cordiais, desenvolveu o Guia para Influenciadores nas Eleições. Esse material orienta criadores de conteúdo sobre a participação democrática, segura e ética durante o processo eleitoral nas plataformas digitais. O guia é voltado tanto para produtores quanto para consumidores de conteúdo.
Em caso de dúvidas, o Senado Verifica está disponível pelo WhatsApp: +55 61 98190-0601.
