Compromisso com a Democracia Brasileira
Em meio ao clima de tensão diplomática entre Brasília e Washington, os Estados Unidos reafirmaram o compromisso de respeitar o resultado das eleições brasileiras e manter relações com o governo que for eleito. A declaração foi feita por um alto funcionário do Departamento de Estado americano, em condição de anonimato, neste domingo (9). O comunicado, divulgado pela CNN Brasil e obtido pela CartaCapital, enfatizou que o “rompimento das relações” não está nos interesses dos EUA.
O representante do governo americano ressaltou a importância das relações bilaterais e o respeito ao povo brasileiro, destacando que os Estados Unidos mantiveram diálogo com governos de diferentes espectros políticos no Brasil, alcançando sucessos em suas parcerias. “Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil”, afirmou o funcionário.
Atraso na Indicação e Repercussões
O posicionamento dos EUA ocorre às vésperas do período eleitoral e segue a sequência de atritos recentes entre os dois países. A autoridade do Departamento de Estado acusou o governo Lula (PT) de prolongar o impasse na concessão do agrément para o novo embaixador americano, Daniel Perez.
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Esse atraso foi o motivo alegado para a revogação do visto de Maria Ribeiro Viotti, chefe da representação brasileira nos Estados Unidos. O agrément é um procedimento previsto pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que exige a consulta reservada do país receptor antes da nomeação oficial de um embaixador.
No caso recente, os EUA divulgaram a indicação de Perez antes de obter o aval formal do governo brasileiro, o que contrariou a tradição diplomática estabelecida entre as nações. A consulta formal foi feita semanas depois da divulgação pública, causando desconforto no Itamaraty. O Senado americano aprovou o nome de Perez na última sexta-feira, mas ainda não há previsão para a análise da indicação pelo governo brasileiro.
Contexto e Perspectivas para a Relação Bilateral
Diplomatas brasileiros avaliam que a relação entre Brasil e Estados Unidos passa pelo momento mais delicado dos últimos anos, com pouca chance de normalização antes do desfecho das eleições em outubro. Qualquer tentativa de aproximação agora teria um custo político elevado, segundo fontes consultadas pela CartaCapital.
O alto funcionário do governo americano descreveu Daniel Perez como “extremamente qualificado” e ressaltou que sua escolha reflete a importância estratégica da relação bilateral. Desde a posse de Donald Trump em janeiro do ano passado, os EUA não possuem embaixador no Brasil. A última representante foi Elizabeth Bagley, ligada ao governo do democrata Joe Biden, e atualmente a missão americana no país é conduzida por um encarregado de negócios.
No Brasil, a proximidade de Perez com Marco Rubio, secretário de Estado americano com laços próximos à família Bolsonaro, alimenta suspeitas no governo Lula de que o indicado poderia atuar politicamente no processo eleitoral brasileiro, caso assuma a embaixada em Brasília.
