Distância entre candidatos limita viradas no segundo turno
Das seis disputas estaduais para o cargo de governador que serão definidas no segundo turno, quatro apresentaram diferença superior a 10 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo colocado: Acre, Amazonas, Distrito Federal e Espírito Santo. A análise de dados históricos demonstra que, nesses casos, a possibilidade de reversão do resultado é baixa.
Em contraste, apenas no Rio Grande do Norte e no Tocantins a margem entre os candidatos ficou abaixo de cinco pontos percentuais, aumentando a probabilidade de uma reviravolta na eleição.
Casos emblemáticos de vantagem e virada
No Acre, a candidata à reeleição Mailza Assis (PP) encerrou o primeiro turno com uma vantagem de 17,5 pontos percentuais sobre Alan Rick (Republicanos), a maior registrada entre os Estados que irão ao segundo turno. Já no Rio Grande do Norte, a diferença foi de apenas 0,8 ponto percentual entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT), a menor entre as disputas.
Historicamente, das 120 eleições estaduais com segundo turno realizadas entre 1990 e 2022, 46 ocorreram com diferença superior a 10 pontos percentuais no primeiro turno. Apenas seis dessas disputas registraram viradas, evidenciando a resistência desse cenário.
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Quando a margem varia entre 5 e 10 pontos percentuais, as mudanças são um pouco mais frequentes: em 34 pleitos, ocorreram 10 viradas. A maior chance de reversão está nas disputas com diferença inferior a cinco pontos percentuais, onde 19 de 40 eleições resultaram em viradas, representando 47,5% dos casos.
Recordes de virada e efeitos eleitorais
O recorde de virada em cenário de vantagem folgada pertence a Eduardo Azeredo (PSDB), que em 1994 virou o jogo em Minas Gerais ao superar Hélio Costa (PP), mesmo tendo iniciado o segundo turno com uma diferença de 21,1 pontos percentuais. Azeredo ampliou seu eleitorado em 2,7 milhões de votos, enquanto Costa conquistou pouco menos de 200 mil votos adicionais, consolidando uma vitória de 17,3 pontos percentuais.
Na eleição de 1994, marcada por grande competitividade, 18 Estados realizaram segundo turno e seis elegeram governadores que haviam ficado em segundo lugar no primeiro turno.
Outro exemplo expressivo ocorreu em São Paulo, em 1990, quando Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) superou Paulo Maluf (PDS) após estar atrás por mais de dois milhões de votos no primeiro turno, conquistando a vitória com uma diferença de cerca de 500 mil votos.
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Estados sem histórico de viradas e cenário presidencial
Se os segundos colocados do primeiro turno em Acre, Espírito Santo ou Tocantins vencerem a eleição em 2026, será a primeira virada nesses Estados. Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso e Rio de Janeiro também nunca registraram reversões no segundo turno.
No âmbito presidencial, o Brasil nunca presenciou uma virada desde a redemocratização. Esta será a oitava eleição presidencial resolvida no segundo turno. Pesquisa PoderData/Aya de 16 de outubro indicou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou em segundo no primeiro turno, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos com 50% dos votos válidos.
Resumo histórico das viradas no segundo turno
Segue o levantamento das viradas nas eleições estaduais desde 1990:
- 1990 – 16 Estados com 2º turno e 5 viradas
- 1994 – 18 Estados com 2º turno e 6 viradas
- 1998 – 13 Estados com 2º turno e 5 viradas
- 2002 – 14 Estados com 2º turno e 3 viradas
- 2006 – 10 Estados com 2º turno e 3 viradas
- 2010 – 9 Estados com 2º turno e 2 viradas
- 2014 – 14 Estados com 2º turno e 5 viradas
- 2018 – 14 Estados com 2º turno e 2 viradas
- 2022 – 12 Estados com 2º turno e 4 viradas
