Mercado de Previsões Ganha Espaço no Debate Eleitoral
A plataforma norte-americana Polymarket, proibida no Brasil desde abril de 2026, tem sido usada, sobretudo pela direita, como um referencial não oficial para medir intenções de voto nas eleições presidenciais. Mesmo sem reconhecimento oficial, o ambiente virtual de negociações de palpites se transformou em uma fonte de dados paralela, alimentando a desconfiança nas pesquisas tradicionais.
A Polymarket permite que usuários apostem na ocorrência de eventos, como um possível cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia ou o resultado da disputa presidencial brasileira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). No primeiro turno, o senador chegou a ser destacado em gráficos da plataforma com 63,2%, enquanto no cenário oficial ele obteve 47% dos votos contra 45% do presidente.
Impacto e Mobilização nas Redes Sociais
A circulação de gráficos da Polymarket nas redes sociais, com percentuais que chegam a mais de 80% para o candidato do PL, gerou uma onda de postagens afirmando que “Flávio Bolsonaro disparou” e que “Lula já perdeu”. Esses números, entretanto, refletem negociações financeiras e não pesquisas eleitorais convencionais, o que gera distorções na percepção pública.
O especialista em métodos quantitativos Breno Adaid explicou que as porcentagens indicam o valor pago para comprar um palpite, influenciado pela entrada de novos apostadores. A própria Polymarket esclareceu que seus dados não constituem pesquisas oficiais ou manifestações de apoio a qualquer candidato.
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Fonte: rjnoar.com.br
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Fonte: cidaderecife.com.br
Proibição e Uso de VPNs
O governo brasileiro, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), proibiu o funcionamento desses mercados de previsão em abril de 2026, alegando riscos de endividamento da população e falta de regulamentação. A medida acompanha restrições semelhantes em 38 países, incluindo França, Alemanha e Japão.
Apesar da proibição, o volume de apostas sobre as eleições brasileiras na Polymarket ultrapassa os US$ 180 milhões, com dezenas de comentários em português. Isso sugere que brasileiros acessam a plataforma por meio de redes privadas virtuais (VPN), técnica incentivada publicamente por Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato do PL e ex-deputado exilado nos Estados Unidos desde 2025.
Disputa Política e Desinformação
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como figuras próximas ao ex-presidente Donald Trump, têm usado a proibição para criticar o presidente Lula. O advogado Martin de Luca, ligado à Trump Media, destacou no X que a Polymarket apontava 89% de chance de vitória para Flávio Bolsonaro no segundo turno e relacionou a proibição à tentativa de Lula de controlar a disputa eleitoral.
Descrença nas Pesquisas Tradicionais
Para Bruno Mattos, coordenador no NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a adoção dos dados da Polymarket reflete a desconfiança do público em relação às pesquisas eleitorais, que subestimaram o desempenho da direita em eleições recentes. Carolina Botelho, cientista política e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva (INCT/SANI), diferencia que pesquisas eleitorais medem intenções de voto em determinado momento, enquanto mercados de previsão envolvem negociações financeiras abertas a qualquer pessoa, sem amostragem representativa.
Desafios para o Controle e Fiscalização
Internautas costumam destacar a movimentação financeira da Polymarket para justificar a confiabilidade dos seus resultados, afirmando que investidores não apostariam em cenários de risco. Além disso, a suposta precisão de 90% é usada para sustentar a credibilidade da plataforma, ainda que os valores sejam ajustados conforme novas informações surgem.
O Ministério da Fazenda informou, em nota de 14 de outubro, que a SPA acompanha a efetividade da proibição e pode implementar medidas adicionais para impedir a oferta irregular desses serviços no Brasil. A Polymarket declarou à AFP estar aberta a colaborar tecnicamente com as autoridades brasileiras para tratar da questão.
