Renovação política enfrenta barreiras estruturais
A renovação no Congresso Nacional está cada vez mais limitada. Dos 513 deputados federais atualmente em exercício, 438 buscam a reeleição, representando mais de 85% do total, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Esse percentual é o maior desde a redemocratização do país e evidencia um sistema que privilegia os que já ocupam cargos eletivos.
Eduardo Mufarej, fundador do RenovaBR, organização criada em 2018 para fomentar novas lideranças políticas, atribui esse cenário ao atual modelo de financiamento público de campanha, fundo partidário e emendas parlamentares, que favorecem a manutenção do poder dos políticos já estabelecidos. “O caminho de acesso para pessoas que não fazem parte de dinastias ou grupos políticos é muito difícil e errático”, afirmou em entrevista ao Brazil Journal.
RenovaBR e seus resultados concretos
O RenovaBR já formou mais de 3.600 alunos, entre eles nomes que ganharam destaque nacional, como a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o secretário de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha (PSD). Até o momento, a organização conta com 386 eleitos, incluindo senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vices e vereadores, além de secretários em diversos níveis.
Apesar desses avanços, Mufarej reconhece que o ambiente político retrocedeu em alguns aspectos, sobretudo devido ao financiamento público. “Com emendas e fundo eleitoral, o financiamento já está garantido. Um parlamentar pode ter tido um mandato fraco ou até sequer comparecer ao Congresso, mas ainda assim utiliza esses recursos”, afirmou.
O sistema eleitoral e seus efeitos no custo das campanhas
O custo para eleger deputados é elevado em todo o país, em parte por causa do modelo de votação proporcional em lista aberta adotado no Brasil. Mufarej destaca que, diferente do voto distrital, o sistema atual exige que o eleitor escolha entre centenas de candidatos, o que eleva significativamente o custo das campanhas e dificulta a criação de vínculos claros entre representantes e eleitores.
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Essa estrutura contribui para o distanciamento entre a classe política e a população, criando um abismo na representação parlamentar.
Desafios para a reforma eleitoral e o papel da sociedade civil
O debate sobre reforma eleitoral está estagnado. Segundo Mufarej, o Brasil caminha para um cenário sem mecanismos efetivos de controle e equilíbrio no sistema político. A concentração do poder nas mãos dos líderes partidários e a falta de transparência na distribuição dos recursos públicos reforçam esse quadro.
O fundador do RenovaBR ressalta que a mudança dependerá do engajamento da sociedade civil. “O eleitor precisa assumir sua responsabilidade”, enfatiza. Ele acredita que o uso da tecnologia e a maior disponibilidade de informações sobre candidatos podem facilitar escolhas mais conscientes.
Impactos concretos de lideranças formadas pelo RenovaBR
Mesmo sem uma fórmula precisa para medir seu impacto, o RenovaBR aponta exemplos de transformações promovidas por seus alunos. Entre eles, Renan Ferreirinha, que como secretário municipal de Educação do Rio implementou a divulgação da nota do Ideb, Felipe Rigoni, autor do Marco do Saneamento, e Tabata Amaral, que teve papel relevante na aprovação da reforma da Previdência.
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Esses casos ilustram como a formação de novas lideranças pode influenciar positivamente a gestão pública e a discussão de políticas essenciais.
Próximos passos para ampliar a renovação política
Para superar os retrocessos institucionais, Mufarej defende a transformação das regras de acesso à política por meio do engajamento popular. Ele reconhece que a política nacional está calcificada, mas destaca que mudanças lentas ocorrem na base.
Com a digitalização e o avanço da inteligência artificial, o acesso a informações sobre candidatos está mais fácil, permitindo que eleitores façam escolhas mais informadas. O desafio é garantir que essas opções cheguem ao conhecimento da sociedade e que o sistema político crie condições para a entrada de novos atores.
O fundador do RenovaBR conclui que ainda há tempo para construir mecanismos que melhorem a representatividade e a qualidade da política brasileira, com impacto direto na vida dos cidadãos e no funcionamento das instituições.
