Celina Leão e sua atuação durante o governo de Ibaneis Rocha
Celina Leão (PP) tem utilizado os debates eleitorais para esclarecer seu papel enquanto vice-governadora no governo de Ibaneis Rocha (MDB), do qual fez parte até março deste ano. Questionada sobre episódios como a crise do Banco de Brasília (BRB), Celina destacou que não detinha poder para alterar decisões tomadas pelo então governador.
Períodos em que Celina assumiu o governo do Distrito Federal
Levantamento realizado pelo Brasil de Fato DF, baseado em publicações do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) e do Sistema Integrado de Normas Jurídicas do Distrito Federal (SINJ-DF), revela que Celina Leão assumiu formalmente o comando do Executivo em 16 ocasiões antes de se tornar governadora titular.
Os registros indicam que ela esteve à frente do governo seis vezes em 2023, quatro vezes em 2024, cinco vezes em 2025 e uma vez em 2026, antes da saída definitiva de Ibaneis Rocha. No início de 2023, após o afastamento do governador pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência dos ataques de 8 de janeiro, Celina permaneceu cerca de 65 dias no comando do Distrito Federal.
Distanciamento das decisões do governo anterior
No debate ao governo do DF promovido pela Band Brasília, Celina foi questionada sobre sua participação na gestão anterior e afirmou que não poderia ser responsabilizada pelas decisões tomadas por Ibaneis. “A gente não consegue mudar uma decisão de um governador. E eu estava realmente como vice-governadora, mas eu não tenho nenhuma atuação nisso”, declarou, ao falar sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB.
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Mais tarde, a governadora reforçou a distinção entre sua administração e a do antecessor. “Eu não sou responsável pelos erros do Ibaneis. Eu sou responsável pelo meu governo, que começou há quatro meses”, pontuou.
Formalização dos exercícios do cargo de governadora
Os registros contabilizam os períodos em que Celina exerceu o cargo, não apenas a quantidade de atos assinados. Assim, diferentes decretos e decisões publicados durante um mesmo período em que ela esteve à frente do governo são considerados uma única assunção.
Os documentos oficiais a apresentam como “governadora em exercício” e, em diferentes momentos, ela assinou decretos e atos administrativos nessa condição. As publicações também registram a expressão “vice-governadora no exercício do cargo de governadora do Distrito Federal” para designar sua função.
Reconhecimento dos desafios herdados e posicionamento atual
Celina reconhece os problemas que recebeu da administração anterior, mas mantém a distinção entre o governo de Ibaneis e sua gestão atual. “Eu não escolhi os problemas que herdei, mas eu os assumi com muita responsabilidade. Herdei dois grandes problemas. Primeiro era o desequilíbrio financeiro […] herdamos também uma grave crise do BRB. Eu não participei, fui contrária na época, mas como governadora tenho que resolver o problema do banco”, afirmou.
Em outra declaração, criticou tentativas de adversários que buscam vinculá-la à gestão anterior. “Essas pessoas querem me nivelar, falar de mim, me ligar a outro governo, isso não existe”, declarou.
Transição definitiva do governo e próximos passos
A substituição temporária no comando do Distrito Federal terminou em março de 2026, quando Ibaneis deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado, candidatura que não avançou. Celina, então vice-governadora, assumiu oficialmente o governo em 30 de março.
O levantamento considera apenas os períodos formais de exercício do cargo, conforme registros no DODF e SINJ-DF, e não reflete todas as ocasiões em que Celina participou da condução política ou administrativa do governo como vice-governadora.
